{"id":86,"date":"2026-05-07T11:16:09","date_gmt":"2026-05-07T10:16:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/?p=86"},"modified":"2026-05-07T12:40:06","modified_gmt":"2026-05-07T11:40:06","slug":"e-homem-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/2026\/05\/07\/e-homem-novo\/","title":{"rendered":"\u00c9 homem novo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada002-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-114\" style=\"width:704px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada002-1024x1024.png 1024w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada002-300x300.png 300w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada002-150x150.png 150w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada002-768x768.png 768w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada002.png 1254w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tenho mais de umha vez tentado partilhar a import\u00e2ncia das estruturas populares e tradicionais do uso e propriedade da terra, frente aos modelos \u201cmodernos\u201d, baseados primeiro na concentra\u00e7om de parcelas, logo na concentra\u00e7om da propriedade e, agora e mais recentemente, na apari\u00e7om de empresas e capitais alheios \u00e0 nossa sociedade entrando com voracidade desmedida na merca especulativa do nosso territ\u00f3rio, e estou sempre a falar de terras agr\u00e1rias e florestais, e usos agr\u00e1rios e florestais, sem entrar em outras condicionantes e ussos como os energ\u00e9tico e mineiros, que daria para outro.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem e a mulher novos viram pelas corredoiras<\/p>\n\n\n\n<p>Estas linhas som a segunda parte de um outro artigo, de t\u00edtulo \u201c<em>De latif\u00fandios e minif\u00fandios<\/em>\u201d no que tentei -nom sei se com pouca ou moita fortuna- defender o modelo tradicional, minifundista, de uso e propriedade da terra na Galiza: popular, colaborativo e solid\u00e1rio, ecologicamente sustent\u00e1vel fronte ao modelo latifundi\u00e1rio, explorador, capitalista, predador do territ\u00f3rio. Esse modelo que representava umha burguesia agr\u00e1ria na Galiza apenas aned\u00f3tica, mas que foi o modelo natural na maior parte da Europa ocidental, e que daria seculos atr\u00e1s p\u00e9 \u00e0 apari\u00e7om da revolu\u00e7om industrial, \u00e0 proletariza\u00e7om das massas camponesas e a toda umha s\u00e9rie de situa\u00e7ons das que galegas e galegos fomos alheios ou chegamos um par de s\u00e9culos tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>A dia de hoje, para a nossa desgra\u00e7a e aguardando a necess\u00e1ria e pertinente autocr\u00edtica do agrarismo galego nas suas diferentes fam\u00edlias (das for\u00e7as agr\u00e1rias subsidi\u00e1rias do sindicalismo oper\u00e1rio espanhol, ou das f\u00f3rmulas abertamente liberais, nom cabe aguardar nada), essa burguesia agr\u00e1ria (pequena burguesia) ou germolo da mesma, ou aspirantes a s\u00ea-la, j\u00e1 est\u00e1 no nosso rural: esse novo ou nova pequena burguesa agr\u00e1ria \u00e9 umha ganadeira ou umha viticultora. Provavelmente seus pais tinham quinze ou vinte vacas numha corte, ou dez ou quinze ferrados de vinha. Permitide, por um maior conhecimento do setor, que empregue \u00e1s primeiras como exemplo do processo, sendo -com as singularidades evidentes- extens\u00edvel \u00e0s segundas, na elabora\u00e7om do relato.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles finais dos oitenta e primeiros noventa viram marcados no rural, como em outros setores sociais e econ\u00f3micos na Galiza, pola entrada do Estado Espanhol no MCE, logo CEE, agora UE. E no rural deu-se umha situa\u00e7om pouco menos que esquizofr\u00e9nica: por umha banda, apostava-se pola produ\u00e7om ganadeira, especialmente a l\u00e1ctea, como eixo vertebrador da atividade econ\u00f3mica e produtiva de grande parte do territ\u00f3rio galego com umhas 100.000 explora\u00e7ons de partida a aquela altura e, pola outra, estabeleciam-se quotas de produ\u00e7om de leite muito por baixo da capacidade produtiva existente naqueles tempos. Por umha banda, promoviam-se atua\u00e7ons p\u00fablicas em forma de concentra\u00e7ons parcelares, habilitavam-se subs\u00eddios para a melhora gen\u00e9tica da cabana ganadeira, facilitavam-se planos de melhora para aumentar a efici\u00eancia e tecnifica\u00e7om das granjas, promovia-se a compra de nova e custosa maquinaria\u2026. e ao mesmo tempo come\u00e7aram as mobiliza\u00e7ons agr\u00e1rias reclamando mais quota de leite para a Galiza, com o agrarismo nacionalista \u00e0 cabe\u00e7a, e nom podia ser de outra maneira.<br><br>Durante por volta de vinte anos, a hist\u00f3ria foi mais ou menos a mesma: os e as gandeiras de vacum de aptitude leiteiras como coletivo de for\u00e7a e pedra angular da economia agr\u00e1ria galega, pequenos aumentos nas quotas j\u00e1 for por repartos gratuitos (os menos) como por compra dos fundos europeios ou compra entre particulares promovida (tamb\u00e9m via subs\u00eddio polas administra\u00e7ons), mais mobiliza\u00e7ons (porque a produ\u00e7om nom parava de medrar, paralelamente ao aumentos dos investimentos nas granjas), explora\u00e7ons que desapareciam, concentra\u00e7om das terras e das produ\u00e7ons em cada vez menos m\u00e3os\u2026 e o filhos ou filhas de aquela mulher e de outras que partiam das 15 ou vinte vacas no cortelho, quando nom j\u00e1 as netas a esta altura, colhendo o relevo das apenas 7000 granjas (lembremos que part\u00edamos de mais de 100000).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas algo foi mudando nestes anos. Porque finalmente desapareceram as quotas, e a produ\u00e7om j\u00e1 \u00e9 \u201clivre\u201d, a agora vemos que serviram para deixar no caminho a aquelas que ou bem nom poderem ou bem nom quiseram endividar-se na compra de direitos de produ\u00e7om. E a filha ou a neta de aquela mulher das quinze ou vinte vacas j\u00e1 nom \u00e9 umha labrega, j\u00e1 h\u00e1 tempo que decidiu que era umha empres\u00e1ria. E as organiza\u00e7ons agr\u00e1rias que no seu dia a defenderam j\u00e1 nom som de utilidade mais que como gestorias baratas, ou como algu\u00e9m a quem pressionar desde o seu lobby de empresarias ganadeiras, porque na realidade j\u00e1 se foram organizando em outro tipo de estruturas de corte \u201cempresarial\u201d. Ademais, leva anos repetindo que os \u201csindicatos\u201d nom servem para nada, ainda que sega a pagar quotas de filia\u00e7om de um, ou mesmo dous. Porque quando lhe baixam um c\u00eantimo o litro de leite, tem que chamar seriamente anojada, as mais das vezes com m\u00e3os modos, para pressionar com a imediata sa\u00edda nos meios de comunica\u00e7om, com a amea\u00e7a de mobiliza\u00e7ons, tratoradas, feches e o que fa\u00e7a falta, E a organiza\u00e7om agr\u00e1ria em questom (qualquer delas), sistematicamente desprezada por essa filia\u00e7om, mas que logo deste processo, \u00e9 o grosso do seu corpo social, apresta-se a defender com unhas e dentes a quem, na pr\u00e1tica \u00e9 -se nom causante- umha das c\u00famplices da destro\u00e7o do rural galego. J\u00e1 sei que sona forte. Explicar-me-ei.<\/p>\n\n\n\n<p>O manejo da terra (ou que manda fazer, porque agora j\u00e1 tem empregados e empregadas em moitos casos, ou empresas contratadas para fazer umhas ou outras lavouras) j\u00e1 nada tem a ver com a da sua predecessora. Agora \u201cgestiona\u201d as suas leiras mais as de oito ou dez vizinhas que tamb\u00e9m tinham quinze ou vinte vacas mas ficaram no caminho (nom se souberam modernizar). Tirou os valos e sebes que ainda quedavam desde a \u00faltima concentra\u00e7om parcelar, porque ainda que no plano do cadastro apare\u00e7am distintas parcelas, j\u00e1 som (ou trabalha) todas ela, e \u00e9 mais eficiente, diz, (e se som tampouco lhe entra o trator de 200cv) fazer de todas umha leira. J\u00e1 s\u00f3 sementa milho metade do ano, e erva para ensilar a outra metade. A \u201catrasada\u201d da sua avoa punha horta, e patacas, e trigo,\u2026. um atraso, umha cheia de trabalho que se soluciona fazendo umha compra semanal no super da vila<\/p>\n\n\n\n<p>E assim imos somando perda de biodiversidade no natural, nos cultivos, perda de capacidade de autoconsumo, trouxo pragas e enfermidades\u2026. dinamitou todo aquelo que caracterizou ao rural galego ao longo da sua hist\u00f3ria. Mas podemos ser pr\u00e1ticos e dizer aquelo (que tanto repetiram desde as administra\u00e7ons e os e as encantadoras de serpes das empresas de maquinaria, insumos e instala\u00e7ons), \u201c os e as que fiquem, vam ficar moito melhor\u201d\u2026. mas a realidade tampouco \u00e9 essa: endividamento, depend\u00eancia dos insumos alheios \u00e0 explora\u00e7om, avelhentamento, perda de servi\u00e7os p\u00fablicos, despovoamento,\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa nova mentalidade burguesa, os e as que vivemos ou pretendemos viver de umha outra maneira no e do rural, somos absolutamente desprez\u00e1veis. Lembramos-lhe \u00e0 sua avoa. Ao pior da sua avoa. Somos o freio \u00e0 sua expanssom, um recordo ruim do seu passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando digo que da m\u00e3o dessa ganadaria forjada no subs\u00eddio e no medre descontrolado est\u00e1 em boa parte e medida a chave para entender a destrui\u00e7om do rural que por centos de gera\u00e7ons alimentou este povo, tenho tamb\u00e9m a certeza que no meio dessas pessoas h\u00e1 quem ainda pensa que umha volta \u00e0 terra, \u00e0 tradi\u00e7om, ao galego, \u00e9 poss\u00edvel, mas tamb\u00e9m som tanto ou mais desprezadas que os e as que pensamos num rural multifuncional, solid\u00e1rio, popular, (e nom digo j\u00e1 vegano).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o mundo est\u00e1 a mudar, o sistema, a velha e ran\u00e7osa Europa, o jardim borrreliano, est\u00e1 nas \u00faltimas, som os estertores do monstro.<\/p>\n\n\n\n<p>E o homem e a mulher novos, o futuro deste rural, o futuro da Galiza, vir\u00e1m andando, tranquilos e com passo firme polas corredoiras<\/p>\n\n\n\n<p>Por onde os tratores de dous centos cavalos nom passam, porque petam nas chantas<\/p>\n\n\n\n<p>Por onde os Mercedes e Audis nom passam, porque ficam atorados na lama<\/p>\n\n\n\n<p>Umha fouce na m\u00e3o, umha vara de aveleira na outra<\/p>\n\n\n\n<p>Um sorriso enorme no cora\u00e7om.<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>Gabriel Lopes. Campon\u00eas\/Dr. Executivo de O Campesinhado<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho mais de umha vez tentado partilhar a import\u00e2ncia das estruturas populares e tradicionais do uso e propriedade da terra, frente aos modelos \u201cmodernos\u201d, baseados primeiro na concentra\u00e7om de parcelas, logo na concentra\u00e7om da propriedade e, agora e mais recentemente, na apari\u00e7om de empresas e capitais alheios \u00e0 nossa sociedade entrando com voracidade desmedida na&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-86","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":115,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86\/revisions\/115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}