{"id":82,"date":"2026-05-07T11:13:51","date_gmt":"2026-05-07T10:13:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/?p=82"},"modified":"2026-05-07T12:40:27","modified_gmt":"2026-05-07T11:40:27","slug":"de-minifundios-e-latifundios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/index.php\/2026\/05\/07\/de-minifundios-e-latifundios\/","title":{"rendered":"De minif\u00fandios e latif\u00fandios"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada001-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-110\" style=\"width:687px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada001-1024x768.png 1024w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada001-300x225.png 300w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada001-768x576.png 768w, https:\/\/ocampesinhado.terrum.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/paisanada001.png 1448w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Lembro quando na escola nos explicaram o aquele dos minif\u00fandios e os latif\u00fandios. O minif\u00fandio, a agricultura da mis\u00e9ria, pobreza, de leiras que por pequenas nom eram mais que um atranco, um sin\u00f3nimo de escassez e sobre tudo o sin\u00f3nimo do atraso e da inefici\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExemplo de minifundismo: Galiza\u201d \u2013 sentenciava o mestre.<\/p>\n\n\n\n<p>O latif\u00fandio, o exemplo de riqueza, prosperidade, grandes leiras aptas para a mecaniza\u00e7om que a agricultura moderna e eficiente precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExemplos de latifundismo: Castela e Andaluzia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim os agricultores e agricultoras do latif\u00fandio eram gentes ricas, pudentes, respeit\u00e1veis, modernas\u2026 nada a ver com as nossas labregas e labregos, pobres eles e elas, da bata cruzada, boina em m\u00e3o e bosta nos sapatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta de exame: que \u00e9 o minif\u00fandio? E o latif\u00fandio? Qual dos dous sistemas \u00e9 melhor? Explica a tua resposta. Hoje teria suspendido o exame. Eu som de minif\u00fandio: explico o minha resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nom sendo eu algu\u00e9m estudoso de questons de economia agr\u00e1ria, suponho que a golpe de observa\u00e7om (e um algo de atrevimento) case trinta e moitos anos depois vou contestar outra vez a pergunta que Dom Luis, mestre chegado de Cuenca a Foz l\u00e1 polos oitenta, nos fizera nas aulas.<\/p>\n\n\n\n<p>O grosso do camponesado galego \u00e9 dono da s\u00faa terra, e o nosso sistema de tenza da mesma, se observamos, tem certas caracter\u00edsticas que o fam extraordinariamente eficiente. Vemos que cada casa (tomando esta como unidade produtiva), tinha acesso a diversas leiras (hortas, lameiros, cortinhas, lavradios,\u2026) que \u00e0 sua vez se caracterizavam por ter distintas aptitudes produtivas, que \u00e0 sua vez asseguravam a multifuncionalidade das produ\u00e7ons, moitas vezes simplesmente para garantir quando menos o autoconsumo da casa e aqueles m\u00ednimos excedentes que alimentavam o mercado local e a obten\u00e7om de aqueles bens que nom se davam produzido na casa. Socialmente, ainda que existam difer\u00e9ncias e nom todas as casas obtenham as mesmas rendas (sempre haver\u00e1 casas mais grandes e mais \u201cricas\u201d que outras), as difer\u00e9ncias sociais nom tenhem nada a ver com as criadas nos sistemas latifundi\u00e1rios, onde uns poucos som donos do terreno, e uns moitos vendem ou entregam quase gr\u00e1tis a for\u00e7a do seu trabalho para viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o ponto de vista da ecologia, sebes, balados, regos\u2026. garantem nom s\u00f3 a exist\u00eancia de plantas e animais que de outra maneira desapareceriam da nossa terra. Som tamb\u00e9m barreiras e \u201cferramentas\u201d naturais fronte a lumes, pragas, ou enfermidades de animais e plantas. A destru\u00e7om de h\u00e1bitats, da fauna e microfauna nessas zonas de cultivo at\u00e9 onde nom alcan\u00e7a a vista leva nom s\u00f3 a perdas nas colheitas mas tamb\u00e9m ao uso e abuso de todo tipo de fitosanit\u00e1rios que nom fam mais que redundar no problema ou mesmo criar mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 evidente que a estrutura agr\u00e1ria do nosso rural foi mudando. O nosso sistema nom \u00e9 compat\u00edvel com o capitalismo moderno. Ao mesmo tempo que avan\u00e7avam as concentra\u00e7ons parcelares, a Pol\u00edtica Agr\u00e1ria Comum e ENCE decidiram transformar a nossa paisagem agr\u00e1ria. Da multifuncionalidade passou-se \u00e0 \u201cespecializacom\u201d produtiva. As paleadoras arrasaram com balados, sebes, chantas\u2026. o milho forrageiro deixa passo ao rai-gras em outono, e outra vez milho em primavera, rodeado de eucaliptos; essa \u00e9 a nova paisagem de demasiados lugares da Galiza.<\/p>\n\n\n\n<p>E o c\u00e2mbio na estrutura territorial leva parelho o c\u00e2mbio na \u201cestrutura neuronal\u201d dos filhos e filhas, mesmo netas de aqueles labregos e labregas, da bata cruzada e a boina entre as m\u00e3os. Agora j\u00e1 nom som mais labregas; som mo\u00e7as e mo\u00e7os \u201cempreendedores\u201d, empres\u00e1rios. Lim h\u00e1 uns dias umha entrevista a umha destas mo\u00e7as, apenas vinte anos e supostamente rec\u00e9m incorporada \u00e0 atividade agr\u00e1ria, explicando cheia de ra\u00e7om tras do escrit\u00f3rio que o futuro do rural galego eram as granjas l\u00e1cteas \u201cXL\u201d (dizia ela) de mais de 500 vacas, e com empregados para todo, para ela poder ir com as suas amigas as fins de semanas a praticar a h\u00edpica. Eis o for\u00e7ado nascimento de umha sorte de burguesia agr\u00e1ria galega, at\u00e9 agora inexistente, Um modelo s\u00f3 rend\u00edvel a conta dos subs\u00eddios da PAC e a explora\u00e7om laboral desses empregados e empregadas que trabalhar\u00e1m para ela. Quase ao mesmo tempo, e a escassos quil\u00f3metros, outra mo\u00e7a den\u00fancia a explora\u00e7om laboral e a precariedade que se vive na empresa andaluza Surexport, ponta de lan\u00e7a do modelo \u201cEl Ejido\u201d na Galiza; s\u00f3 uns dias depois morre um rapaz migrante logo de sucessivas jornadas laborais esgotadoras e mal pagadas. Ao mesmo tempo a Xunta anuncia umha nova lei de mobilidade de terras agr\u00e1rias que aspira a criar grandes pol\u00edgonos agro-florestais para a sua adjudica\u00e7om e posta em produ\u00e7om \u201ceficiente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro h\u00e1 bem anos ao Milucho argumentar que eficientes eram aquelas aquelas casas que, com quatro vacas, eram quem de sustentar \u00e0 fam\u00edlia mais mandar estudar umha filha fora para dar-lhe umha carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>O latifundismo j\u00e1 est\u00e1 c\u00e1. Chega o ponto em que nom tudo val no nosso rural. Mas nom toca rendir-se. Seguiremos\u2026<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>Gabriel Lopes. Campon\u00eas\/Dr. Executivo de O Campesinhado<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro quando na escola nos explicaram o aquele dos minif\u00fandios e os latif\u00fandios. 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